Inalcançável descongelar

paramos em uma tardia madrugada gelada
para avaliar quem somos
quem temos sido por estes dias de puro egoísmo
o peso póstumo das decisões
nos cai monstruosamente
somos delinquentes de nosso nômade destino assustado
e tudo doí, tudo uma hora falha
tudo acaba por falhar na mesma hora
existe uma parte sutil de uma antiga memória
que torna-se triste
tão inalcançável e inquieta
necessitamos desesperadamente voltar
más os anos seguem apenas sua fiel direção
somos apenas crianças em um longo jogo atraente
corremos impacientes para um lugar seguro
esperando o sol sobre os olhos descongelar
deitamos em nosso sonho empalhado
queremos, tememos querer
na linguagem crua da distante ausência
nossa alma envelhece
e tudo doí
na solidão tudo doí
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Ao oeste

...
o tempo esta bom ao oeste
vejo galhos e como se fossem penas voaram sobre o carrocel de cabeças
eu sinto a dor desse olhos saltados
e assim como se fosse morrer eu me deito
assim eu a sinto chegar
o decompor de cada palavra não escrita
enfim a vida nos e sole! 

sonhamos com um vento africano
nos batendo ao rosto
em uma liberdade inexistente
em nossa inútil mente amadora

ser rimbaud em qualquer carnaval
é isso e apenas sentir o vento gelado nos acordar

acordar e sentir a vida
a fome zombando dos tolos
com seus garfos enferrujados

o ar frio e arrogante de quem
prefere a vida
eu escolho as veias a esguichar
Warhol recitou Burroughs e zumbiu

suas plásticas migalhas
e sua força inalcançável
assim me sinto morrer ao
o sonho que ainda trago
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Nova reforma ortográfica

A veia da véia (velha) valha-me
a fórma da forma
o ovo a ave
o novo o nove a nave
o calo o cólo
então me calo
a mala a móla
amolar a faca
amola logo
ajusta o fóco
ajeita o forro
rejeita o forró
alinha o linho
eu tenho a manha
nessa manhã!
eu dou um trago
e trago a bagagem
indago a bobagem
eu faço, fuço e erro
então me empresta
o que não presta
o que te resta
desse rosto
o posto o rastro!
Eu me afogo
ela nada
não sei nada
desse afago
só que é fogo.

(nova reforma ortográfica)

eu tenho direito de por acentos(assentos) onde eu quiser
cadeiras ou bancos, agudos ou circunflexos '
o que fazer com os trocadilhos, jogos verbais? :p

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Solidão soluços solúveis

Silêncio, sombras no meu cinzeiro
sentimentos sortidos rasgados pelo ar
o gosto do café o cheiro da fumaça
a véspera da tosse e páginas em branco

Na janela onde a poeira apodrece
no fundo do meu sonho morto
eu tenho simpatia pela solidão
ela ao contrário do que pensam
não vem sem ser chamada
ela vem na hora certa calma e quente
quando eu mais preciso

Ai então nos embriagamos juntos
nos amamos em nosso infinito cinza
então rimos dos céticos
dos loucos tentando entender o mundo
dos trabalhadores de futuro incerto
dos tolos apaixonados
dos cegos lideres do povo
e sua corte de escravos livres

E choramos
sim nós choramos profundamente
pelos suicídas
pelos gênios decapitados
pelos heróis apedrejados
e pelos que tiraram sua vestes
para alimentar a fogueira da inquisição

Eu tenho uma grande simpatia pela solidão
quando ela chegar não a mande embora
ela sabe a hora de ir
não a envenene
Apenas aprenda o que ela tem para ensinar.
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O velho e o banco

Todos os dias quase no mesmo horário ele vem senta no banco olha para os dois lados como se fosse atravessar a rua
tira o maço de cigarros do bolso e acende um, sempre desconfiado acho que ele fuma escondido.
Olhando pra sua aparência ele deve ter uns setenta anos não é magro nem gordo parece saudável, parece triste.
Acho que ele vive sozinho ou não. acho que ele é triste pela idade que tem, por não ter feito tudo que queria fazer quando era jovem
por saber que morte esta o alcançando. Más ele vem todos os dias quase como um ritual ele precisa daquele banco velho
o velho precisa do banco por isso ele vem de tão longe para sentar-se ali. Ou quem sabe é ao contrario o banco que precisa dele
ninguém liga para aquela droga de banco acho que as árvores rejeitam o banco como as pessoas que passam por ali
então ele tem uma ligação com o velho talvez os bancos tenham sentimentos! Não sei os outros más aquele ali tem.
Só pode ser isso o velho precisa do banco para sentar, para pensar na vida, para fumar, para descansar e o banco precisa
do velho para sentir-se últil. Uma grande troca, uma grande e idiota palhaçada! Talvez minha alma seja o banco, triste, fria e
abandonada e o velho seja alguém que ela espera encontrar, alguém que além de todas as pessoas que passam ignorando o banco (alma)
perceba ali uma beleza escondida que só ela encontre e aconteça não uma troca más uma fusão.

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Motivos e Razões

De você eu não sei nada
Além do que preciso descobrir
Então são gesto e palavras
E um jeito esperto de sobre-sair

Tudo que eu quero é você ao meu redor
Dicas e apelos pra uma noite melhor

Não é tão fácil quanto possa parecer
Estamos perto de um jeito incerto
Esperando acontecer
Truques de silêncio frases de impressão
Um ar de exotismo lirismo em discussão

Motivos e razões são bases de um por que
Medo de emoções não vão te proteger
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Estar assim

Estar assim

Ela não se rende más não superou o fim
eu sei que é assim
que tem que ser
ela não entende o que pensa sobre mim
eu sei que é assim
que tem que ser

eu tento fugir e ela tenta achar legal
ostenta adimitir que isso é normal

e então vem e me faz lembrar
que não há lugar dentro de mim
então vem e me faz ficar
siga e deixe estar assim

sem mais eu vou embora
o que restou agora
da sua indecisão?

você está sozinha?
pensei que a noite tinha
lhe estendido a mão

ela não se rende más não superou o fim
eu sei que é assim
sempre vai ser
ela não entende se o que sente por mim
vai florescer
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Secessão

Secessão

Faz o silêncio e se concentra a voz
um pouco atenta tenta encontrar
o sentimento que ela me propôs
nesse momento tenta não falhar

qual a palavra que te faz sorrir?
quero traze-la pro meu vocabulário
eu te abraço pra poder dormir
a cada dia em um novo horário

te beijo a nuca e te seguro as mãos
na solidão eu te estendo os braços
até quando você quiser ficar

você está lá fora
já esta na hora voltar

o que os meus olhos não estão vendo
todos os dias que você guardou
o que os meus olhos estão perdendo
vários segundos que ninguém contou

limpa o espelho pra se maquiar
tenta o vermelho para esconder
toda a tristeza que ostenta ousar
se afugenta para aparecer

na cama as coisas como ela deixou
decoram o quarto sem clarear
uma semana que nunca acabou
leva outro dia sem começar

te beijo a nuca e te seguro as mãos
na solidão eu te estendo os braços
até quando você quiser ficar

você está lá fora
já esta na hora voltar

o que os meus olhos não estão vendo
todos os dias que você guardou
o que os meus olhos estão perdendo
vários segundos que ninguém contou
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O último grito

Rasgados e cheirando mal, somos nós,
somos o público de um show de bizarrices cotidianas,
cambaleamos, expostos a luz desfigurada da noite febril.

e regurgitamos os sonhos que engolimos na juventude,
e pisamos no mesmo chão e, nesse mesmo chão,

está o nosso passado em cada parte do lixo sufocante,

nas veias dessa cidade!
Nunca sorrimos ao olhar nos olhos de um estranho,
vagamos expostos, exaustos do cheiro de sangue fresco,
pelas calçadas

cobertas de esgoto,
tropeçamos, bêbados e alucinados,
nos mendigos e seus cobertores, seus cães,
suas almas e suas pupilas.

Prostitutas e músicos da noite,
poetas desfigurados do mundo atual,
dançando pela dislexia da sociedade,

impacientes e sujos,
cuspindo em seus instrumentos
as dores de um "blues biográfico".

Suspiros cegos dos mortos recém eleitos,

dormindo em telhados como gatos de bruxaria,

somos nós em uma parte inédita e desconhecida,
no reflexo oculto do velho Inconsciente.

E quando a cidade finalmente adormecer,
não haverá inocentes para contar o que aconteceu,
porque todos nós estivemos lá,
com os olhos abertos,
e mesmo assim escolhemos não enxergar.


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