Borracha


Por que te fechas em rancor
E não me abres uma brecha?
Se te lancei a flecha
Hoje sangro tua dor.

Apaga a recordação,
Se te feri em maus passos
Hoje desenho meus traços
Nas linhas da tua mão.

Me convides para a dança,
Mas não nos sele nessa cela
Com esse amor de cautela
Que assassina a esperança.

Pois vivo por ti, à espera
Desse beijo sem pudor.
Se teu olhar é primavera,
O meu corpo quer ser flor




 

Amor Mendigo

Pela madrugada eu chorava em vão,
no chuveiro sussurrava minha solidão
mesmo negando isso a mim
um dia colocarei o seu fim

sentado na escada refletia
o quanto aquele peso a mim media
se todo esse gigante sentimento
ao vento me tornava mais um jumento

sou um cara que não aprendeu amar,
e nem te derrubar apos levantar
ou talvez aprendi, mais nunca conseguir
e tudo que fazia era apenas fingir 

por todos esse anos eu corri
em um tropeço quase morri
de dor e agonia,
foi apenas isso que seu amor me fazia

foi como meu primeiro amor
sabia que haveria uma nova dor
mais apaguei seus traços
fazia um novo dia a cada abraço

e o seu sugar me prometia
que aos poucos me levaria
em poucos momentos já não existia
um belo dia apos dia.

e a dor estampada em um vermelho
que se refletia ao olhar em um espelho
as marcas encardiam o céu
e gotejavam com sabor de mel 

sua fala continuava mança
mais eu já tinha percebido sua mudança 
percebi um tom neurótico 
em apenas seu olhar psicótico 

e minha estrutura estava quebrada
as paredes completamente rachada
e minha escada se tornou um abrigo
e me tornei o amor mendigo ... 



 

Absoluto Silêncio

Sozinho e embriagado,
sou apenas mais um viciado. 
longe do caminho da verdade,
um uma bruta fatalidade!

com o coração pregado,
aos poucos me deparo enganado.
numa distante realidade,
em uma pura enfermidade. 

talvez um ponto final,
todos os dias se tonam igual!
com uma certa ausência,
entro em pura abstinência. 

nada disso é diferente ,
pois novamente estou carente.
numa fértil depressão,
que em lagrimas se torna em vão.

em outra dimensão, 
longe do meu coração,
não por ter te amado!
mais sim por estar completamente apaixonado !




 

Assombração


Já não ouso sonhar sua face
dentre todas que inventei
-o mistério se desfez-
entre as sombras do teu disfarce...

Dormito para que de mim se afaste
os espectros sensíveis que aprisionei
em aneladas correntes -que criei-
e quebro as para que não me arraste

Quase ouço o vazio que perdura
no timbre inquieto e mordaz 
em que amanhecem os mortais
e refugio me na penumbra 

E em mim adentra desvairada
a ilusão de que não existo
fora daquilo que acredito
e minha realidade se esfumaça...