Pra dizer


Em um idioma já extinto
nas palavras quando eu minto
nos lugares mais inesperados
nos pecados mais sagrados

As letras se transformam
te informam más não formam
o que eu quero te dizer

Um copo vazio em cima da mesa
sem notar o frio a casa começa a clarear
e a maquiagem que te ofusca a beleza
te escorre os olhos se ninguém está

Más eu só estou a alguns minutos de você
e só o que passou não se pode resolver
resta o presente e de repente a oportunidade
é o limite exato entre o contato e a vontade

As letras não informam
apenas se transformam
e desfocam sem dizer
Eu te amo!





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O tolo



Só os tolos cedem aos seus sentimentos
acreditam e se declaram sem pensar
que o amor te retalha frio por dentro
e somente em si resta a quem culpar

Só os tolos se entregam as paixões
sem exigir nada além do que se sente
levam em si mil desculpas e perdões
e se revelam muito mais que persistentes 

Só os tolos não desistem de sentir
e seguem cegos favores e conselhos 
por desamores não posso impedir
que esse tolo ainda more em meu espelho'




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Medo alheio



No vão do em vão alheio
ficou só o que deixar
é só me restou o receio
o medo de me aproximar

A voz ousando sair
tentando se declarar
e quem deveria ouvir
tão pouco quis se importar

E sempre que eu tento esquecer
começo a me convencer
que é bem melhor lembrar

O tempo só faz sentido
se não há o que esperar
a cor do seu vestido
que eu vi desbotar

E agora não tenho nada
para me basear
se hora estiver errada
quem vai me avisar?

Ouve a inversão dos polos
numa aversão vulgar
a moça que pede colo
o cara que nunca está

A àgua já não sacia
quem muito já bebeu
só serve a poesia
pra quem não escreveu




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Inatingível



O relógio parado
más o tempo se move
outra noite acordado
outra ultima dose

De qualquer maneira
tudo tende a prosseguir

Todo o meu desespero
camuflado em sua pele
se esvai por inteiro
antes que se revele

É tão inatingível tão distante
tão em vão
É como estar invisível
pra chamar atenção

Se você se aproxima
eu em nada me encaixo
dou volta por cima
e continuo por baixo

As garrafas vazias
dentro do guarda roupa
e já nada sacia
o gosto da sua boca

É tão inatingível tão distante
tão em vão
É como estar invisível
pra chamar atenção

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O Tempo


O tempo nos remete sempre ao inicio
e quando achamos que nos esquecemos
nos deparamos com um novo principio
no futuro que é o passado que não conhecemos

A vida inteira é um cinema
com a mesma cena em diferentes tomadas
a mesma coisa com cara nova
a maneira certa sendo vista de forma errada
O mesmo sonho nos seus ideais
é tão impossível quanto anos atras
E aonde erramos erradicando
tudo aquilo fazemos sonhando?

E aonde erramos sendo racionais
manipulando planos artificiais?

O tempo nos remete ao marco zero
e quando achamos que estamos a frente
daqueles que nos desprezamos
pelo egocentrismo de acharmos ser gente

A vida inteira é um teatro
com os mesmo atos em um novo roteiro
a mesma coisa ficando mais cara
o perdão é outra chance para o tiro certeiro

O mesmo sonho nos seus ideais
é tão impossível quanto anos atras
E aonde erramos erradicando
tudo aquilo fazemos sonhando?

E aonde erramos sendo racionais
manipulados pelos mesmos jornais?



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Necessidade visual

Você se torna sua própria espera
vivendo em uma era artificial
velhas fotos do que eu era
e nada disso bate com o comercial

Uma nova roupa
o mesmo sorriso
um preço absurdo do que eu não preciso

As pessoas pela cidade
todas elas são iguais
estão buscando felicidade
nas novelas atuais

Um novo celular
os mesmo contatos
apenas o refugio de um prazer imediato

Você se torna a sua própria espera
vivendo em uma cela individual
o programa ou a propaganda
o mesmo drama em um outro canal





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Borracha


Por que te fechas em rancor
E não me abres uma brecha?
Se te lancei a flecha
Hoje sangro tua dor.

Apaga a recordação,
Se te feri em maus passos
Hoje desenho meus traços
Nas linhas da tua mão.

Me convides para a dança,
Mas não nos sele nessa cela
Com esse amor de cautela
Que assassina a esperança.

Pois vivo por ti, à espera
Desse beijo sem pudor.
Se teu olhar é primavera,
O meu corpo quer ser flor




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Amor Mendigo

Pela madrugada eu chorava em vão,
no chuveiro sussurrava minha solidão
mesmo negando isso a mim
um dia colocarei o seu fim

sentado na escada refletia
o quanto aquele peso a mim media
se todo esse gigante sentimento
ao vento me tornava mais um jumento

sou um cara que não aprendeu amar,
e nem te derrubar apos levantar
ou talvez aprendi, mais nunca conseguir
e tudo que fazia era apenas fingir 

por todos esse anos eu corri
em um tropeço quase morri
de dor e agonia,
foi apenas isso que seu amor me fazia

foi como meu primeiro amor
sabia que haveria uma nova dor
mais apaguei seus traços
fazia um novo dia a cada abraço

e o seu sugar me prometia
que aos poucos me levaria
em poucos momentos já não existia
um belo dia apos dia.

e a dor estampada em um vermelho
que se refletia ao olhar em um espelho
as marcas encardiam o céu
e gotejavam com sabor de mel 

sua fala continuava mança
mais eu já tinha percebido sua mudança 
percebi um tom neurótico 
em apenas seu olhar psicótico 

e minha estrutura estava quebrada
as paredes completamente rachada
e minha escada se tornou um abrigo
e me tornei o amor mendigo ... 



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Absoluto Silêncio

Sozinho e embriagado,
sou apenas mais um viciado. 
longe do caminho da verdade,
um uma bruta fatalidade!

com o coração pregado,
aos poucos me deparo enganado.
numa distante realidade,
em uma pura enfermidade. 

talvez um ponto final,
todos os dias se tonam igual!
com uma certa ausência,
entro em pura abstinência. 

nada disso é diferente ,
pois novamente estou carente.
numa fértil depressão,
que em lagrimas se torna em vão.

em outra dimensão, 
longe do meu coração,
não por ter te amado!
mais sim por estar completamente apaixonado !




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Assombração


Já não ouso sonhar sua face
dentre todas que inventei
-o mistério se desfez-
entre as sombras do teu disfarce...

Dormito para que de mim se afaste
os espectros sensíveis que aprisionei
em aneladas correntes -que criei-
e quebro as para que não me arraste

Quase ouço o vazio que perdura
no timbre inquieto e mordaz 
em que amanhecem os mortais
e refugio me na penumbra 

E em mim adentra desvairada
a ilusão de que não existo
fora daquilo que acredito
e minha realidade se esfumaça...



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